que essa vida seja uma experiência solitária, que ela seja uma constante busca por contato, uma desesperada tentativa de se encontrar (não a si mesmo, mas em si mesmo), é algo que aprendi muito cedo. talvez por não me reconhecer no nome que me deram, ou recusar o destino angelical que nele se inscrevia, minha relação com o mundo sempre foi baseada no estranhamento e, se sou bom em algo, esse algo é esquecer.
entretanto, ando mais desesperado do que nunca.
desesperado em todos os sentidos: ando tendo surtos de desesperança, de instabilidade, de vazio e de completa falta de perspectiva. mas também ando des-esperado, minha vinda não é esperada por ninguém.
quem já esteve num relacionamento (quase todo mundo esteve em uma relação, mas vejo que poucos em um relacionamento) sabe que o outro continua sendo o outro, que o mito do andrógeno não diz respeito à matéria, mas ao espírito (entenda-se o termo como puder). mas esse outro é um suporte, um sorriso que confere sentido ao dia, um olhar que esforçamos para coordenar na mesma direção ou apenas uma boca que nos promete engolir.
o outro é sempre o outro: aquele que nunca veio. aquele que já foi. aquele que surgiu como promessa, como uma imensa luz que redimiria todos os pecados e levaria os mortos para seu encontro com deus, mas que não se realizou. aquele que vaga-luma. aquele.
o outro é sempre o outro. mas eu nunca fui eu e a alteridade conforta quem nunca está em casa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário