
O amor é uma caneca nova, mas quebrada. Essa caneca, o mais importante objeto da minha simbologia pessoal, poderia para um outro ser substituída por qualquer objeto, desde que esse esteja quebrado ou inutilizado. O valor da caneca não está em sua utilidade, nem nas lembranças que ela me suscita. Associá-la ao amor não é possível somente porque nela está inscrita a palavra BONITO, como acreditaria um romântico. Mas essa caneca nova e quebrada, tenho certeza, é o amor. Basta olhar. Em cada rachadura que ainda desponta na sua superfície amarelo-lisa e na sua obrigação de permanecer com a boca para baixo, subvertendo a usual posição, está a marca daquele que, depois de vê-la quebrada, sentou-se para remontá-la, achando nas curvas de cada fragmento as curvas do fragmento seguinte. Basta olhar e perceber: o amor é uma caneca.
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