Lendo outro dia um capítulo do livro do, possivelmente brasileiro, Leonardo Lajonquière, intitulado "De como o infans se torna alienado no eu: o estágio do espelho", entendi muita coisa sobre mim. Acho que rejeitei o outro cuja influência, mediação para ser fiel ao termo de Lajonquière, me permitiu contruir um "eu" e acabei rejeitando a imagem refletida no espelho. Não há "eu"! "Eu não sou eu", diria Sá Carneiro. Mas completando o verso "nem sou o outro", por isso o espelhamento que ultimamente tenho adotado como nome: LEAFAR. Resta saber se com esse espelhamento construí uma nova subjetividade ou anulei a primeira com o oposto do nome próprio. Ainda bem que meus amigos saturninos me permitem dizer tudo isso e não achar que sou louco. Dentre eles, vamos de outro Sá, o de Miranda.
Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.
Com dor da gente fugia,
Antes que esta assi crecesse:
Agora já fugiria
De mim, se de mim pudesse.
Que meo espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim?
O melhor é que quando percebi o que havia me tornado (ou não, ainda não sei), dei uma gargalhada. Melhor assim, não recalquei nada. Adoro brincar de psicanálise!!!
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