sábado, 18 de dezembro de 2010
A Ideia do Amor
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Doce dançarina...
Aquele instante de suspense que antecedia um grito e o encontrar dos dois corpos, o dela tão tão pequeno e o dele, não grande, porém maior; aquele instante é agora todo o tempo. Supostamente não há Deus a quem rezarmos por alma de bicho, então me atrevo a renunciar novamente ao céu, que não pode acolher a quem tanto nos deu amor. Não pude me despedir de ti, mas espero novamente dizer olá. Nega, peta, mézinha, dança tua dança, bailarina, até o dia em que nos reencontrarmos. Além.
terça-feira, 29 de junho de 2010
Comigo me desavim
Lendo outro dia um capítulo do livro do, possivelmente brasileiro, Leonardo Lajonquière, intitulado "De como o infans se torna alienado no eu: o estágio do espelho", entendi muita coisa sobre mim. Acho que rejeitei o outro cuja influência, mediação para ser fiel ao termo de Lajonquière, me permitiu contruir um "eu" e acabei rejeitando a imagem refletida no espelho. Não há "eu"! "Eu não sou eu", diria Sá Carneiro. Mas completando o verso "nem sou o outro", por isso o espelhamento que ultimamente tenho adotado como nome: LEAFAR. Resta saber se com esse espelhamento construí uma nova subjetividade ou anulei a primeira com o oposto do nome próprio. Ainda bem que meus amigos saturninos me permitem dizer tudo isso e não achar que sou louco. Dentre eles, vamos de outro Sá, o de Miranda.
Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.
Com dor da gente fugia,
Antes que esta assi crecesse:
Agora já fugiria
De mim, se de mim pudesse.
Que meo espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim?
O melhor é que quando percebi o que havia me tornado (ou não, ainda não sei), dei uma gargalhada. Melhor assim, não recalquei nada. Adoro brincar de psicanálise!!!
Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.
Com dor da gente fugia,
Antes que esta assi crecesse:
Agora já fugiria
De mim, se de mim pudesse.
Que meo espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim?
O melhor é que quando percebi o que havia me tornado (ou não, ainda não sei), dei uma gargalhada. Melhor assim, não recalquei nada. Adoro brincar de psicanálise!!!
segunda-feira, 28 de junho de 2010
O bebê de Leafar
Sempre vou ao parque aqui perto da minha casa escolher uma criança para sequestrar. Como não vou ter filhos e nem gostaria, seria um péssimo pai, as vezes fico brincando de tentar achar aquele que seria o hipotético herdeiro do meu reino de sonhos. Muito bem, no longer searching!!! Abaixo utilizo minhas habilidades de copista para reescrever o que estava na página 19 do jornal "O tempo" do dia 06 de junho de 2010. O trecho é de um garoto de 9 anos de nome João Pedro (nome aprovado) e o título da reportagem é "Não visto essa camisa", sobre o que as pessoas farão nos dias em que o Brasil jogar na Copa do mundo. Julguem se esse eh ou naum o meu filho:
"Não é que eu não goste da Copa do mundo, só não tenho interesse. Fico brincando que futebol é um jogo estranho porque cachorro é que gosta de correr atrás de bola. Gosto de ver as pessoas felizes durante os jogos, mas acho muito exagerado, confuxo e barulhento. Acho que já nasci não gostando de futebol. É tudo sempre muito igual, pessoas correndo, bola batendo na trave, torcida gritando, então prefiro assistir a um desenho, que pelo menos tem história. Vou jogar videogame e brincar com a Katarota, minha galinha de estimação. Ela também não gosta de assistir a jogos, então vamos ficar juntos".
"Não é que eu não goste da Copa do mundo, só não tenho interesse. Fico brincando que futebol é um jogo estranho porque cachorro é que gosta de correr atrás de bola. Gosto de ver as pessoas felizes durante os jogos, mas acho muito exagerado, confuxo e barulhento. Acho que já nasci não gostando de futebol. É tudo sempre muito igual, pessoas correndo, bola batendo na trave, torcida gritando, então prefiro assistir a um desenho, que pelo menos tem história. Vou jogar videogame e brincar com a Katarota, minha galinha de estimação. Ela também não gosta de assistir a jogos, então vamos ficar juntos".
segunda-feira, 14 de junho de 2010
O jardim dos caminhos que se bifurcam
As escolhas duram o tempo necessário para se escolher de novo.
domingo, 30 de maio de 2010
A Cidade e as Serras
O personagem deste romance de Eça, Jacinto, em determinado momento da narrativa, descobre Schopenhauer e somente a partir da leitura do filósofo alemão consegue achar um pouco de graça na vida. Obviamente, esse gozo em saber que tudo é uma "maçada", como diria o próprio Jacinto, não resiste muito e o personagem acaba retornando à sua tediosa existência. Tenho estado um pouco como o Jacinto, tudo tem se configurado como um grande desperdício de tempo e ainda, apesar dos meus 24 anos, estou perdido. A velha dúvida sobre o que fazer na vida persiste e ainda não se me desponta uma resposta. Continuo batendo, batendo, batendo, batendo nessa porta que não se abre nunca.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
6. Nesga de terra debruada de mar...
No longer Portuga!!! Acho que devo me contentar com o livro do Torga. A viagem de volta, por enquanto, está adiada.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
5. Cantando no banheiro
Única coisa que hoje me deixa feliz é a descoberta de Eduardo Dusek. De fato, é no banheiro onde me sinto feliz. Vou abdicar da Literatura e me mudar para o chuveiro, pois lah sou amigo do Rei. E quando eu estiver mais triste, mas triste de não ter jeito. Quando de noite me der vontade de me matar. Lá sou amigo do rei, terei a mulher que eu quero, na cama que escolherei. Vou-me embora pro banheiro.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
4. Le cafard
Estou lendo, finalmente, o livro do Vila-Matas e entendendo algumas inquietações que me acometem há algum tempo. O impulso para o Blog surgiu não só da leitura de "Belmiro", mas também da sensação de desconforto, de inércia, de náusea que encontro em minha vida. Desde que entrei para a faculdade não consigo mais fazer nada. Houve a peça na Cia, o conto das xícaras e o outro sobre obnubilação, mais nada. Tudo se resume a leituras obrigatórias, uma preocupação exagerada pela compreensão rápida e, confesso sem modéstia, a formação de uma "consciência literária muito exigente". Dentre os casos expostos pelo narrador, o da luso-cubana María Lima Mendes me foi muito revelador. Assim como ela foi paralisada pelo Mal, penso que também devo estar infectado pelo excesso de teoria, pela praga acadêmica. Apanho-me racionalizando demais sobre as coisas que faço e tentando achar justificativas para absolutamente tudo. Ok, a partir de agora calo-me. Aproveito o silêncio da escrita para também aderir ao silêncio da opinião, não acho mais nada. A partir de agora, sempre, a qualquer coisa, "prefiro não".
Ob.: Não vou mais ficar tentando achar justificativas de porque eu gostei tanto de "Estorvo" do Chico Buarque, enquanto todos os meus amigos que o leram acharam péssimo. Leitura, leituras...
Ob.: Não vou mais ficar tentando achar justificativas de porque eu gostei tanto de "Estorvo" do Chico Buarque, enquanto todos os meus amigos que o leram acharam péssimo. Leitura, leituras...
domingo, 7 de fevereiro de 2010
3. Além
- Não adianta tentar me entender. Não adianta dizer três ou quatro palavras na esperança de que três ou quatro palavras possam preencher o vazio que você vai deixar. Eu me entreguei por inteiro para você. Você me conhece como ninguém jamais me conheceu. Conhece meus defeitos, minhas qualidades, minhas curvas e meus abismos. Você conhece meu gosto, você conhece meu gozo e minhas dúvidas. Por isso não pense que três ou quatro palavras serão suficientes para me acalmar numa hora dessas. O que vou fazer daqui pra frente, hein? Como vou acordar todos os dias na cama que a gente comprou juntos e que, agora, você me diz que não vai levar. Por que eu tenho que ficar com ela? Porque você quer me torturar, não é?! Você sabe que seu cheiro já está impregnado nela, que no colchão está impressa a marca do seu corpo. Você quer que eu me deite todos os dias nessa marca, não é? E os armários? O que vou fazer com um armário deste tamanho? Minhas roupas não serão suficientes para ocupá-lo. Toda vez que o abrir vou me deparar com o grande vazio que estará minha vida. O vazio desse armário, todos os dias, me lembrará que você foi embora, que metade de mim me abandonou. Assim como sua marca naquela cama, onde provavelmente irei parar todas as noites, como alguém que se atira num abismo na esperança de achar a solução. Você veio e me usou, se lambuzou, nos corrompeu, e agora vai embora e deixa nesse apartamento a única coisa que de fato foi sua nessa vida. Porque eu fui seu. Fui todo seu. Como nunca fui de ninguém. Como nunca achei que seria. E agora vem com essas palavras, que para você são capazes de me confortar, são capazes de me fazer entender o porquê está me deixando. Nenhuma palavra vai me confortar, nenhuma palavra vai me fazer entender, nenhuma palavra vai me fazer não chorar, mas por favor, por favor, diga alguma coisa.
2. Bartleby e Cia
Pensando na distância a que me encontro da última e única postagem desse blog, ao que parece, eu também prefiro não.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
1. Belmiro
Aos de plantão, inicio mais um Blog, mais uma caminhada rumo ao nada para o qual sempre segui. Lendo "O Amanuense Belmiro", de Cyro dos Anjos, e enfadado pela vida sem vigor que venho levando, decidi começar esta página, na qual pretendo "expor fatos, impressões, ingênuos pensamentos, loucas fantasias". Essa é uma medida drástica, mas que me apareceu uma alternativa, pois assim como Belmiro viu por um tempo sua vida ganhar sentido nas páginas de seu Diário, espero conseguir dar à minha alguma significação. Bartlebys, Belmiros e Macabéas me guiarão pela estrada de tijolos amarelos, formando a legião de ordinários, da qual certamente faço parte. Nem o Novo Cristo de Deleuze, nem o anti-one de Nietzsche... mais um, só mais um amanuense.
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